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Saudades de mim

25/11/2015

saudade32“Tenho saudades…
De quando o medo não me controlava
Nem a crítica me perturbava,
Do tempo em que comia chocolate sem me preocupar
E livre andava sob a chuva e não ligava de me molhar.

Ah, que saudades…
De quando tomava sorvete com o nariz escorrendo,
Do som “o papai chegou!” que me fazia sair correndo,
Do tempo em que doava sem me importar em receber
E, livre, não usava a culpa para me prender.

Ah, que saudades…
De quando não sofria por antecipação
Por nada e ninguém vendia a paz do coração,
Do tempo em que meus sonhos faziam o mundo parar
E, livre, não tinha medo de chorar nem de arriscar.

De muitas coisas tenho saudades,
Mas a que mais cala fundo é
A saudade que tenho de mim…
E quando bate essa saudade no peito, penso…

Se eu pudesse viver outra vez,
Arriscaria mais ser feliz,
Deixaria o vento revoar meus cabelos,
Teria menos medo de ser estúpida
E apostaria mais em quem falha,
Pois não há mentes difíceis, mas chaves erradas.
E, tolerante, cobraria pouco dos outros.
E, generosa, muito menos de mim.

Mas não. Como não posso viver outra vez…
Quero ao menos dilatar o tempo,
Fazer de cada dia um mês,
Deixar de ser escrava do futuro,
Homenagear cada minuto no presente
E agradecer cada pessoa que amo por existir.
Mas, acima de tudo, quero trair a morte.
Como? Sendo uma eterna amante da vida…”

Extraído do livro “Armadilhas da mente”, de Augusto Cury